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Biodiversidade· 25 de julho de 2026· 2 min de leitura

Estudo comprova que terra preta da Amazônia acelera crescimento de árvores em campo

Pesquisa do Cena-USP e da Embrapa mostra que solo ancestral atua como engenheiro biológico, elevando desenvolvimento de mudas nativas em até 55%.

Redação Giro Ambiental
Estudo comprova que terra preta da Amazônia acelera crescimento de árvores em campo

Pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), da Embrapa Amazônia Ocidental e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) demonstraram que pequenas quantidades de terra preta da Amazônia (TPA) aumentam o crescimento de árvores nativas em condições reais de campo. O experimento, conduzido entre outubro de 2022 e abril de 2023 no município de Iranduba (AM), revelou que o solo antropogênico atua como um inoculante biológico capaz de reconfigurar o microbioma ao redor das raízes. A descoberta traz novas perspectivas técnicas para projetos de restauração florestal no país.

Os resultados detalhados mostram impacto expressivo no desenvolvimento de mudas cultivadas com adições do solo fértil em comparação com plantas mantidas em latossolos tradicionais. No caso do ipê-roxo, espécie com ocorrência na Amazônia e na Mata Atlântica, o ganho chegou a 55% maior em altura e 88% em diâmetro de tronco após o período de 180 dias. Já para o paricá, árvore de rápido crescimento utilizada no setor madeireiro e em reflorestamentos, as mudas apresentaram desenvolvimento médio 20% superior e diâmetro 15% maior.

Segundo Anderson Santos de Freitas, pesquisador do Cena-USP e principal autor do estudo publicado em janeiro de 2026, o diferencial reside na vida microscópica presente no material. O solo escuro e rico em matéria orgânica, formado por populações indígenas em períodos pré-coloniais, alterou a comunidade fúngica do ambiente. A análise apontou redução drástica na presença de patógenos vegetais e multiplicação de microrganismos benéficos que atuam no controle biológico.

O experimento prático ocorreu no Campo Experimental do Caldeirão, sob as condições reais de intempéries como pluviosidade, incidência solar e ventos que desafiam iniciativas de recuperação de áreas degradadas. Lucas William Mendes, biólogo e especialista em ecogenômica, destaca que o avanço técnico consistiu em comprovar em campo o que antes era observado apenas em ambientes controlados de laboratório, evidenciando o papel ecológico dos fungos e bactérias.

Apesar do alto potencial fertilizante e microbiológico, os autores do estudo ressaltam que a aplicação direta do solo em larga escala em programas de restauração está descartada por razões legais. Os depósitos de terra preta de índio constituem patrimônio arqueológico e genético protegido pela legislação brasileira. A extração ou exploração irregular é vedada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pela Lei nº 3.924/1961 e pelas normativas que regulam o acesso ao patrimônio genético contidas na Lei da Biodiversidade.

A estratégia apontada pela comunidade científica para o setor de restauração consiste em isolar os microrganismos benéficos identificados e mimetizar as propriedades da TPA em laboratório. O objetivo de médio prazo para consultores e gestores ambientais é o desenvolvimento de bioinsumos específicos ou o emprego de biochar rico em carbono, permitindo replicar os ganhos de desenvolvimento vegetal sem causar qualquer dano aos sítios arqueológicos originais da floresta.

Com informações de Mongabay Brasil.

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