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Biodiversidade· 22 de julho de 2026· 2 min de leitura

Desmatamento para café reduz cobertura florestal do Vietnã em 23 p.p.

Um novo relatório da Coffee Watch revela que a expansão do cultivo de café nas Terras Altas Centrais do Vietnã levou à perda massiva de florestas tropicais entre 1990 e 2020.

Redação Giro Ambiental
Desmatamento para café reduz cobertura florestal do Vietnã em 23 p.p.

A produção de café no Vietnã, que responde por quase 40% das exportações mundiais de café Robusta, foi impulsionada por décadas de desmatamento desenfreado. Uma investigação recente do grupo Coffee Watch, sediado em Berlim, aponta que a cobertura florestal tropical na região das Terras Altas Centrais, responsável por 95% do café vietnamita, caiu de 42,8% em 1990 para apenas 19% em 2020.

A perda florestal foi mais acentuada entre 1995 e 2010, estabilizando-se em níveis baixos a partir de 2020. As florestas remanescentes estão hoje restritas a terrenos mais íngremes e de difícil acesso, frequentemente em altitudes elevadas e dentro de áreas de proteção formalmente designadas, conforme detalha o relatório da Coffee Watch.

Historicamente, políticas governamentais e financiamento para o desenvolvimento internacional incentivaram a rápida expansão da cafeicultura nas Terras Altas Centrais. Esse crescimento teve um custo ecológico severo, resultando em fragmentação de habitats, erosão acelerada do solo e uma crescente dependência de fertilizantes para manter a produtividade em solos exauridos.

O estudo da Coffee Watch alerta que a perda florestal afetou o fluxo e a recarga de água, a estabilidade e a umidade do solo, o armazenamento de carbono e o controle de pragas na região. Há um risco de que 50% da área de cultivo de Robusta no Vietnã se torne inadequada para a produção devido aos impactos de extremos climáticos, como aumento das temperaturas e chuvas irregulares.

Ly Thi Minh Hai, diretora para o Vietnã da organização ambiental RECOFTC, reconhece que a expansão do café foi um dos principais motores do desmatamento na região. No entanto, ela destaca que o setor cafeeiro agora está mudando o foco para a melhoria da produtividade, resiliência e sustentabilidade das áreas de cultivo existentes, em vez de buscar novas expansões.

Minh Hai concorda que as mudanças climáticas exercem pressão crescente sobre a produção de café e que os agricultores precisam de apoio para se adaptar. Isso inclui a revitalização e replantio de lavouras antigas, a introdução de culturas intercaladas (como árvores de sombra para evitar monoculturas), a adoção de práticas agrícolas inteligentes em relação ao clima e regenerativas, e a melhoria da eficiência no uso da água.

A RECOFTC, por exemplo, trabalha com comunidades locais para promover a agrofloresta e garantir a posse da terra, um alicerce essencial para prevenir novos avanços sobre as florestas. A visão é que o futuro do setor cafeeiro vietnamita será medido pela gestão eficiente das paisagens já cultivadas, e não pela expansão territorial.

Para engenheiros ambientais, consultores e gestores do setor, o cenário vietnamita serve de alerta sobre os riscos do crescimento agrícola desregulado. Ele sublinha a necessidade de integrar planejamento territorial rigoroso, gestão de recursos hídricos e estratégias de adaptação climática em projetos agropecuários, com foco em práticas de agrofloresta e certificações que garantam a rastreabilidade e a sustentabilidade da cadeia produtiva, mitigando passivos ambientais e garantindo a viabilidade a longo prazo da atividade.

Com informações de Mongabay (EN).

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