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Água· 24 de julho de 2026· 2 min de leitura

Arsesp define nova regra para Cantareira; GDN pode se estender por 1 ano

A Arsesp publicou a Deliberação 1.813, que estabelece nova metodologia para o Sistema Cantareira, definindo faixas de operação e limitando a retirada de água, com projeção de extensão da Gestão de Demanda Noturna (GDN) por mais um ano na Região Metropolitana de São Paulo.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 30 de julho de 2026
Arsesp define nova regra para Cantareira; GDN pode se estender por 1 ano

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou, em 17 de junho, a Deliberação 1.813, que estabelece uma nova metodologia para o acompanhamento das faixas de operação do Sistema Cantareira. A decisão regulatória influencia diretamente a Gestão de Demanda Noturna (GDN), período de redução da pressão da água, que pode ser estendida por mais um ano na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

O Instituto Água e Saneamento (IAS) tem monitorado a situação dos mananciais da RMSP, e seu mais recente relatório, o oitavo da série, destaca que o Cantareira fechou o mês de junho com 39% de seu volume total. Com isso, o sistema entrou em julho na Faixa 3 (Alerta), que impõe um limite de retirada de água de 27 metros cúbicos por segundo (m³/s).

Atualmente, a retirada de água do Cantareira se mantém estável em cerca de 25 m³/s, e a GDN está fixada em 10 horas diárias. Com base nesses parâmetros, a nova metodologia da Arsesp calcula o volume mínimo esperado para os mananciais do sistema nos próximos meses, sinalizando a possibilidade de a GDN ser mantida por mais um ano.

Embora chuvas dentro da média e uma operação estável tenham contido a queda nos níveis das represas do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), o cenário hídrico ainda é delicado. Entre janeiro e março, houve uma recuperação parcial devido às chuvas, levando o Cantareira a superar os 40% de seu volume e operar na Faixa 2 (Atenção).

Contudo, o nível de 43,6% registrado em março foi o mais baixo para o início da estação seca nos últimos 10 anos. Em abril, com o início da estiagem, a vazão natural das represas ficou 35% abaixo das médias históricas, fazendo com que o SIM e o Cantareira registrassem os menores volumes para o mês em uma década.

Dados sobre transferências de águas da bacia do rio Paraíba do Sul para o Cantareira mostram que esse reforço foi utilizado pela Sabesp desde outubro de 2025, mais cedo do que em anos anteriores. As previsões do Cemaden indicam que, se as chuvas de junho a setembro ficarem 25% abaixo da média, o sistema poderá iniciar a próxima estação chuvosa em nível de restrição mais severa. A chegada do fenômeno El Niño no segundo semestre, prevista pelo Inmet, adiciona uma forte imprevisibilidade ao cenário.

Para profissionais da área ambiental, consultores e gestores de empresas, a nova metodologia da Arsesp e as projeções de extensão da GDN exigem atenção contínua. É fundamental observar os limites de retirada de água, as condições climáticas e as possíveis alterações nas outorgas, pois o gerenciamento dos recursos hídricos na RMSP continuará sob pressão, impactando a operação e o planejamento de abastecimento na região.

Com informações de Instituto Água e Saneamento.

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