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Água· 25 de julho de 2026· 2 min de leitura

Tietê: SOS Mata Atlântica não vê trecho saudável e acha 25 agrotóxicos

Levantamento da Expedição Tietê 2025 identificou microplásticos em toda a extensão do rio, além de agrotóxicos, fármacos e drogas ilícitas.

Redação Giro Ambiental
Tietê: SOS Mata Atlântica não vê trecho saudável e acha 25 agrotóxicos

Nenhum dos 1.100 quilômetros do Rio Tietê apresenta qualidade da água plenamente saudável, segundo levantamento da Expedição Tietê 2025, lançado em 25 de junho pela SOS Mata Atlântica e parceiros. O estudo detalha os múltiplos agentes de contaminação que afetam o curso d'água, revelando níveis de poluição orgânica, química e física em todos os pontos analisados.

A pesquisa, que abrangeu 14 pontos do rio desde sua nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, em Itapura, investigou a presença de contaminantes em 65 municípios paulistas. As análises incluíram perfis microbiológicos, físico-químicos e biogeoquímicos, além da busca por agrotóxicos, microplásticos e contaminantes emergentes como fármacos e drogas ilícitas.

Entre os achados, microplásticos foram identificados em todas as amostras, inclusive na nascente. O estudo também detectou 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas. A alta concentração de matéria orgânica e compostos nitrogenados indica o impacto significativo do esgoto doméstico e dos efluentes industriais.

Os trechos mais urbanizados da bacia, localizados no Alto Tietê (Mogi das Cruzes, Guarulhos, Osasco e Pirapora do Bom Jesus), registraram os piores índices de degradação. Nessas áreas, foram medidos os menores valores de oxigênio dissolvido e as maiores concentrações de carbono orgânico e nitrogênio, além de contaminação microbiológica, presença de cocaína e aumento expressivo de microplásticos.

Nas regiões do Médio e Baixo Tietê, onde há intensa atividade agrícola, principalmente o cultivo de cana-de-açúcar, as análises constataram a presença expressiva de herbicidas, fungicidas e inseticidas. Isso indica a forte influência da agricultura na contaminação por agrotóxicos nesses trechos.

Uma das conclusões centrais do estudo é a interação entre as "múltiplas camadas simultâneas de contaminação". Os poluentes não atuam isoladamente; microplásticos, por exemplo, absorvem agrotóxicos e fármacos, enquanto processos de eutrofização (excesso de nutrientes) favorecem a proliferação de bactérias, intensificando a degradação da água.

Os pesquisadores alertam que as condições atuais do Rio Tietê contrariam princípios da legislação estadual e da Constituição do Estado de São Paulo, que impedem a utilização de suas águas pela população. Para reverter o quadro, o estudo sugere uma abordagem sistêmica, baseada em monitoramento contínuo, integração de dados e governança coordenada em escala de bacia hidrográfica.

Para profissionais da área ambiental, os resultados reforçam a urgência de uma gestão integrada de efluentes domésticos e industriais, além de um controle mais rigoroso do uso e descarte de agrotóxicos. Órgãos ambientais, consultores e gestores de empresas devem intensificar os programas de monitoramento de efluentes e águas superficiais, reavaliar condicionantes de licenciamento e focar na origem da contaminação para evitar passivos ambientais e garantir a conformidade regulatória.

Com informações de Instituto Água e Saneamento.

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