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Clima· 26 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Queda do desmatamento poupa R$ 1,16 trilhão à economia global

Estudo do Ibre/FGV aponta que a retração de 2023 a 2026 evitou a emissão de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa na Amazônia e no Cerrado.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Queda do desmatamento poupa R$ 1,16 trilhão à economia global

A retração nos índices de desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 evitou a emissão de cerca de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, gerando um ganho estimado de US$ 216 bilhões, o equivalente a R$ 1,16 trilhão, para a economia global. O cálculo foi divulgado pelo economista Bráulio Borges, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base na conversão da área preservada em emissões evitadas e na aplicação do Custo Social do Carbono.

Os dados consideram as informações preliminares do Prodes do Inpe divulgadas para o período entre agosto de 2025 e julho de 2026, quando a Amazônia Legal registrou 3.335 km² desmatados, menor patamar da série histórica iniciada em 1988. No Cerrado, a área derrubada somou 5.517 km², menor marca desde o início da medição em 2001. A metodologia utilizou como cenário contrafactual a média de desmatamento registrada entre 2019 e 2022, resultando em uma área de 22,3 mil km² que deixou de ser desmatada nos dois biomas.

Para valorar o volume de carbono que deixou de ser lançado na atmosfera, o estudo adotou a meta-análise do Custo Social do Carbono coordenada por Richard Tol, da Universidade de Sussex, fixando a média ponderada em US$ 145 por tonelada de CO₂. Desse total global, o Brasil absorve entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões em danos climáticos evitados, parcela que reflete a vulnerabilidade do PIB nacional a eventos extremos e ao estresse térmico sobre a produtividade do trabalho.

O levantamento destaca que o benefício financeiro se materializa principalmente sob a forma de prejuízos evitados à agricultura e à infraestrutura, valores que não aparecem nas estatísticas tradicionais de contabilidade nacional. O economista aponta ainda que o cálculo subestima o valor real da floresta em pé, uma vez que não mensura diretamente a manutenção do regime de chuvas e o fluxo dos rios voadores para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Valor econômico das chuvas e o mercado de carbono

Com base em pesquisas acadêmicas recentes publicadas em periódicos internacionais, o estudo calcula que a preservação da umidade amazônica protege fluxos vitais para a agricultura avaliados em cerca de US$ 126 milhões por ano, montante que alcança US$ 4,2 bilhões em valor presente. A perda desse suporte climático já afeta a geração de energia em hidrelétricas como Itaipu e Belo Monte, cujos déficits gerados pelo enfraquecimento hídrico superam R$ 1 bilhão anuais.

O autor do levantamento aponta que a maior parte desses ganhos ambientais continua sem remuneração direta, embora instrumentos regulatórios em implantação, como o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões criado pela Lei 15.042/2024, possam gerar demanda regular por créditos de carbono florestal. Para os profissionais do setor, o cenário reforça que a conservação atua como ativo direto de proteção econômica para o próprio agronegócio e para a segurança energética nacional.

Com informações de Um Só Planeta.

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