Lista da flora ameaçada sobe para 3.730 espécies; pau-brasil vai a CR
Nova lista oficial da flora ameaçada, publicada no Diário Oficial da União, inclui 595 espécies novas e retira 74; o pau-brasil passou de Em Perigo para Criticamente em Perigo.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima publicou no Diário Oficial da União, em uma quarta-feira (28), a nova lista da flora brasileira ameaçada de extinção. Ao todo, 3.730 espécies aparecem nas categorias Vulnerável, Em Perigo e Criticamente em Perigo, a faixa de maior risco de desaparecimento na natureza. Entre elas está o pau-brasil (Paubrasilia echinata), que subiu de Em Perigo para Criticamente em Perigo.
A comparação com a edição anterior, publicada em 2022, mostra uma lista maior. Foram incluídas 595 espécies e retiradas 74, o que deixa um saldo de 521 espécies a mais. Entre as que saíram está a imbuia (Ocotea porosa). O próprio órgão, segundo a reportagem de origem, indica que o crescimento reflete a ampliação dos esforços de avaliação dos cientistas, e não necessariamente piora na situação das espécies incorporadas.
Os números por bioma pedem cuidado na leitura. A Mata Atlântica aparece com 38% de espécies ameaçadas entre as avaliadas, e o Cerrado com 35%. Na Amazônia, a proporção é de 18%. Esses percentuais valem apenas para as espécies analisadas, e não para o total da flora de cada bioma.
Avaliação ampliada e espécies possivelmente extintas
As avaliações foram coordenadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com participação de 507 pesquisadores. O número de espécies avaliadas saltou de 7.524, em 2022, para 9.420, alta de cerca de 25%.
A lista traz 30 espécies do gênero Paepalanthus, as sempre-vivas típicas do Cerrado e dos campos rupestres. Uma delas é nova na relação: a Paepalanthus rupestris, encontrada apenas nos campos rupestres do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, e classificada como Em Perigo.
Os botânicos também acenderam um alerta para duas espécies da Mata Atlântica que podem estar extintas. A Symplocos rizzinii, árvore da Serra da Mantiqueira, não é documentada desde 1950. A Plinia rogersiana, do gênero da jabuticaba, tem ocorrência histórica registrada apenas em São Paulo.
Para quem trabalha com licenciamento, supressão de vegetação ou compensação ambiental, a lista é a referência oficial de espécies ameaçadas que aparece em estudos e análises técnicas. Uma espécie reclassificada para uma categoria mais grave, como o pau-brasil, tende a exigir atenção redobrada em projetos que possam atingir populações da árvore. A reportagem de origem não detalha, porém, quais efeitos regulatórios a mudança de categoria produz em cada caso, e essa leitura depende da norma aplicada em cada processo.
Com informações de ((o)) eco.
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