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Biodiversidade· 30 de outubro de 2026· 3 min de leitura

Fragmentos de vegetação nativa caem 43% em 38 anos, mostra MapBiomas

Dados do módulo de Degradação do MapBiomas mostram menos área fragmentada, mas em mais pedaços cada vez menores, sobretudo na Mata Atlântica.

Redação Giro Ambiental
Fragmentos de vegetação nativa caem 43% em 38 anos, mostra MapBiomas

A área de vegetação nativa fragmentada por desmatamento para mudança de uso da terra caiu 43% entre 1986 e 2024, segundo o módulo de Degradação do MapBiomas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) e apresentados em Yerevan, na Armênia, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), da ONU.

O total passou de 287 hectares fragmentados em 1986 para 163 hectares em 2024. Fragmentos são porções de mata original cercadas por áreas desmatadas para agricultura, pasto ou urbanização. A queda na área total, porém, não significa menos fragmentação. O número de recortes subiu de 2,35 milhões para 3,41 milhões no período, ou seja, a vegetação restante está mais dividida em pedaços menores.

O recorte por bioma mostra onde o problema está mais concentrado. A Mata Atlântica tem o maior número de áreas recortadas, 1,38 milhão, e também os menores trechos, com média de 25 hectares. O Cerrado aparece em segundo, com 957 mil pequenas porções, e tem fragmentos médios de 105 hectares. O Pampa tem média de 81 hectares.

Na Amazônia, os fragmentos são os maiores, com média de 662 hectares em 2024. Ainda assim, desde 1986, quando a média era de 2,7 mil hectares, o tamanho dos fragmentos caiu 76%. O número de porções isoladas na região subiu de 144 mil para 519 mil, alta de 260%, conforme os dados do MapBiomas para o país.

Quase metade dos fragmentos do país (49%) está em cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná. Dos 20 municípios com menor área média recortada, 12 estão no Sudeste, cinco no Nordeste e três no Sul. Na Região Norte, 19 dos 20 municípios com trechos maiores se concentram, e Itamarati (AM) lidera, com 65,6 mil hectares de área média.

Efeito de borda e risco de fogo

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Dhemerson Conciani, coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas, a fragmentação dificulta a dispersão de sementes e a circulação de animais. Ele afirma que isso reduz o fluxo gênico, a transferência de material genético entre populações, e aumenta o risco de extinções locais.

As áreas de borda são faixas de 30 a 150 metros próximas às regiões desmatadas. Nelas, a vegetação sofre com entrada excessiva de luz, exposição a ventos fortes e perda de umidade do solo, o que leva ao assoreamento. Conciani diz que, com a paisagem mais fragmentada, a exposição a esses efeitos e ao fogo cresce, sobretudo em anos de eventos climáticos extremos.

Os pesquisadores estimam que entre 37 milhões e 102 milhões de hectares de vegetação nativa no país estejam em área de borda, o equivalente a 7% a 18% da vegetação nativa brasileira. O Cerrado concentra a maior extensão nessa condição, entre 11 milhões e 32 milhões de hectares. Em proporção, a Mata Atlântica é o bioma mais exposto, com 29% a 66% da vegetação remanescente em borda.

O que muda para quem licencia e restaura

O eixo técnico do levantamento é a conectividade. Para o pesquisador da GeoKarten Eduardo Vélez, que também integra o grupo de Degradação do MapBiomas, os dados atualizados ajudam a dimensionar o problema e a orientar ações de restauração voltadas a maior conectividade ecológica. Para quem elabora compensação, recomposição ou plano de restauração, a leitura por bioma e por município pode indicar onde a fragmentação já reduziu o tamanho médio dos trechos.

Para o gestor ambiental e o consultor que trabalham com supressão de vegetação, o dado mais útil é o de borda: quanto menor o fragmento, maior a parcela da mata exposta aos efeitos de borda. Vale cruzar a análise de cada área com o mapeamento de fragmentos da região antes de definir medidas de compensação ou de conectividade.

Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.

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