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Biodiversidade· 29 de outubro de 2026· 3 min de leitura

Fragmentos de vegetação nativa sobem de 2,35 mi para 3,41 mi

Entre 1986 e 2024, o Brasil ganhou mais fragmentos de vegetação nativa, e cada um ficou menor. O MapBiomas aponta a perda de conectividade como problema, e o Rio criou um programa de corredores ecológicos.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 30 de outubro de 2026
Fragmentos de vegetação nativa sobem de 2,35 mi para 3,41 mi

Em 1986, o Brasil tinha 2,35 milhões de fragmentos de vegetação nativa, com área média de 287 hectares. Em 2024, eram 3,41 milhões de fragmentos, e a área média caiu para 163 hectares. Os números são do módulo de Degradação do MapBiomas, divulgado durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), na Armênia.

A Mata Atlântica concentra mais de um terço dos fragmentos do país, cerca de 1,38 milhão. É o bioma mais desmatado do Brasil, reduzido a cerca de um quinto da cobertura original, e tem as menores áreas médias de remanescentes: 25 hectares. Em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a média por fragmento é de 1,9 hectare, a menor entre os municípios citados no levantamento.

O Cerrado aparece em segundo lugar, com 957 mil fragmentos e área média mínima de 105 hectares. Na Amazônia, o número de fragmentos mais que triplicou entre 1986 e 2024, de 144 mil para 519 mil. No mesmo período, a área média caiu de 2,7 mil hectares para 662 hectares, uma redução de 76%. O Amazonas ainda tem os fragmentos mais extensos, com média de 4 mil hectares.

Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas, explica que áreas menores ficam mais expostas ao efeito de borda e ao fogo, sobretudo em anos de eventos climáticos extremos. Segundo ele, a perda de conectividade reduz a capacidade de dispersão e reprodução das espécies, o que afeta o fluxo gênico e aumenta o risco de extinções locais.

Conectividade entra na pauta da COP17

A delegação brasileira na COP17 defende a criação de um quinto elemento sobre conectividade ecológica no Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, em revisão para se alinhar ao Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado em 2022. O WWF, que apoia a proposta junto com a Convenção sobre Espécies Migratórias, diz que o elemento prevê incluir conexões no planejamento territorial, em ambientes terrestres, aquáticos e marinhos, com participação de povos indígenas e comunidades locais.

O marco global prevê que, até 2030, pelo menos 30% das áreas terrestres, de águas interiores, costeiras e marinhas estejam efetivamente conservadas e bem conectadas. Hoje, 17,5% das áreas terrestres e de águas continentais do planeta estão protegidas ou conservadas, mas só 8,5% dessas terras estão bem conectadas.

Rio de Janeiro cria programa de corredores

No Rio de Janeiro, o Decreto Estadual nº 50.533/2026, publicado em outubro e anunciado durante a COP17, instituiu o Programa Estadual de Corredores Ecológicos. A norma define diretrizes para identificar, reconhecer e implementar corredores que vão de remanescentes de Mata Atlântica a áreas marinhas e costeiras, como manguezais, recifes e ilhas costeiras. A Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ) informou que os corredores serão criados com base em estudos técnicos e consulta pública, e que as áreas reconhecidas poderão ter prioridade na destinação de recursos de compensações ambientais e fundos estaduais.

Entre as estratégias estão a restauração ecológica em áreas de conexão de remanescentes e unidades de conservação, a recuperação de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas, o incentivo às RPPNs, o pagamento por serviços ambientais e o apoio à agroecologia. Para rodovias, linhões e gasodutos, o programa prevê passagens de fauna e a incorporação de soluções de conectividade ao planejamento e ao licenciamento ambiental.

Para quem licencia ou opera empreendimento linear no Rio, a conectividade passa a ser critério explícito de planejamento e licenciamento, e os corredores identificados poderão orientar onde compensações e recursos serão aplicados. Ainda não há lista de áreas. Ela depende dos estudos técnicos e da consulta pública previstos no decreto.

Com informações de ((o)) eco.

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