Japão contabiliza 14 acidentes em termelétricas de biomassa e enfrenta crise de segurança
Sequência de incêndios e explosões em usinas alimentadas por pellets de madeira acende o sinal vermelho sobre falhas operacionais e leniência regulatória no arquipélago.

O parque de geração termelétrica a biomassa do Japão enfrenta uma onda de questionamentos regulatórios e operacionais após o registro de pelo menos 14 incêndios, explosões e acidentes graves em instalações de grande porte nos últimos anos. O país abriga cerca de 34 usinas de biomassa em larga escala, somando uma capacidade instalada de 3,5 gigawatts, com operação baseada em pellets de madeira e cascas de palma para substituir o carvão mineral. O crescimento do setor ocorreu na esteira do programa governamental de tarifas incentivadas Feed-in-Tariff. Contudo, a tecnologia esbarra em falhas de projeto, armazenamento inadequado e fiscalização branda do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, o METI.
O episódio mais drástico aconteceu em 2024 na usina de Taketoyo, operada pela JERA na província de Aichi. A explosão na unidade de 1,07 gigawatt assustou moradores, que chegaram a suspeitar de um ataque com mísseis. A planta ficou fechada por meses e retomou as atividades de forma parcial apenas em janeiro de 2025, queimando carvão temporariamente. Organizações ambientalistas criticam o fato de a JERA não ter recebido multas ou sanções administrativas, o que alimenta o debate sobre a transparência do governo diante de falhas reincidentes.
Outras unidades espalhadas pelo país acumulam ocorrências. As usinas de Yonago e Sodegaura geraram forte oposição comunitária após episódios de paralisações e emissões de fumaça e poeira perto de áreas residenciais. Em março de 2025, um novo incêndio atingiu a usina de Niigata East Port. A cadeia logística também cobra seu preço, com um trabalhador morto por falta de oxigênio no porão de um navio com cascas de palma no porto de Ishinomaki em maio de 2024, tragédia atribuída à decomposição do material e à falta de monitoramento atmosférico.
Entidades como a Friends of the Earth Japan afirmam que as regras técnicas sofrem com a flexibilidade em nome dos lucros corporativos. Consultorias avaliam que o peso dos custos de combustível empurra as empresas a cortarem gastos com manutenção preventiva e infraestrutura de estocagem. Pressionado, o METI incluiu exigências em portarias sobre o controle de fontes de ignição, remoção de poeira e prevenção de combustão espontânea.
Apesar das mudanças nas normas, críticos apontam que a segurança ainda depende de ações voluntárias das empresas. Analistas também notam que o modelo japonês de biomassa sofre com o encarecimento dos insumos, o término de subsídios do programa Feed-in-Tariff e a concorrência com outras energias limpas. A projeção é de estagnação na inauguração de novas plantas até 2030, colocando em xeque o futuro da substituição do carvão pela biomassa no país.
Com informações de Mongabay (EN).
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