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Água· 07 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Dessalinização ou reúso de água: qual fonte nas secas

Dessalinização cria água nova a partir de fonte salgada e gasta muita energia; o reúso estica o efluente já gerado com custo menor.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
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Em região de escassez, dessalinização e reúso ampliam a oferta de água por caminhos distintos. A dessalinização retira o sal da água do mar ou de água salobra, e o reúso trata efluente já gerado para devolvê-lo a novos usos. A dessalinização cria água nova a partir de fonte salgada; o reúso estica a água que já circula. Custo, energia e destino final separam as duas.

Como cada uma funciona A dessalinização força a água salgada por membranas que retêm o sal, na tecnologia mais usada, a osmose reversa, ou a evapora e condensa. Entrega água de alta qualidade, mas consome muita energia e gera um rejeito concentrado de sal, a salmoura, que precisa de destinação cuidadosa para não danificar solo e corpos hídricos.

O reúso pega esgoto ou efluente industrial, trata no nível exigido pelo uso e devolve a água para fins como irrigação, indústria, lavagem ou recarga. Aproveita uma fonte que já existe e seria descartada, com gasto de energia geralmente menor que o da dessalinização. O limite é a qualidade, porque cada uso pede um grau de tratamento e o controle sanitário não pode falhar.

O que pesar na decisão Localização decide muito. Dessalinização faz sentido perto do mar ou sobre aquífero salobro, onde há fonte salgada abundante. Longe da costa, transportar água salgada ou dessalinizada encarece tudo, e aí o reúso, ligado ao efluente local, leva vantagem.

Energia e passivo entram na conta. Dessalinizar custa caro em energia e deixa a salmoura como problema. O reúso gasta menos, mas depende de haver efluente em volume e de tratamento confiável. Nenhuma das duas substitui a redução do desperdício, que continua sendo a água mais barata.

Quando cada uma vale Dessalinização vale em litoral ou em comunidade sobre água salobra sem alternativa de água doce, como já ocorre no semiárido com poços salobros. Reúso vale onde há efluente gerado e demanda por água de qualidade intermediária, sobretudo na indústria e na agricultura. Muitos sistemas urbanos vão precisar das duas, cada uma na frente que domina.

Antes de projetar, avalie a fonte disponível, o uso pretendido e o destino do rejeito, e consulte o órgão gestor de recursos hídricos e a vigilância sanitária do seu estado sobre os padrões de qualidade e as licenças exigidas.

Perguntas frequentes A salmoura da dessalinização é um problema?

É. O concentrado de sal, se lançado sem cuidado, prejudica solo e vida aquática. A destinação da salmoura precisa entrar no projeto desde o começo.

Água de reúso pode virar água potável?

Existe reúso potável em alguns lugares, com tratamento avançado e controle rígido. Não é algo para improvisar, porque depende de tecnologia e de aval sanitário.

Dessalinizar água de poço salobro compensa?

Em comunidade isolada sem água doce, muitas vezes é a saída viável. O custo de energia e o destino da salmoura precisam ser resolvidos para o sistema durar.

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