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Clima· 03 de novembro de 2026· 3 min de leitura

Corsan capta R$ 700 mi via Eco Invest para saneamento e clima

Debêntures de dez anos captadas pela Corsan, controlada pela Aegea, vão financiar R$ 515 milhões em infraestrutura e adaptação climática e R$ 214,6 milhões em universalização.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 04 de novembro de 2026
Corsan capta R$ 700 mi via Eco Invest para saneamento e clima

A Corsan, controlada pela Aegea, captou R$ 700 milhões no primeiro leilão do Eco Invest, programa do Tesouro Nacional que mistura recursos públicos subsidiados com capital privado para reduzir o custo de financiamento de projetos verdes. A captação foi estruturada pelo Bradesco BBI por meio de debêntures com prazo de dez anos.

Pelo desenho do programa, o Tesouro oferece dinheiro aos bancos a 1% ao ano e exige que eles alavanquem esse recurso com capital privado. Na operação da Corsan, os recursos serão aplicados em duas frentes, segundo a escritura de emissão das debêntures: melhorias de infraestrutura com adaptação climática e crescimento urbano.

A companhia estima investir R$ 729,7 milhões nesses projetos até 2033. Desse total, R$ 700 milhões vêm desta emissão, e R$ 515 milhões são destinados a infraestrutura e adaptação climática. Os R$ 214,6 milhões restantes vão para a universalização dos serviços de água e esgoto nas áreas atendidas, com expansão de redes e ramais, novas ligações e adesão de novos usuários.

Adaptação às enchentes de 2024

A prioridade, segundo a Aegea, são regiões vulneráveis a inundações, com base nos impactos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. As medidas previstas incluem a elevação de estruturas, a construção de barreiras de proteção como muros, diques e comportas, e a aquisição de geradores para manter equipamentos em operação quando a rede elétrica é interrompida.

As enchentes atingiram diretamente a operação. Dos 317 municípios atendidos pela Corsan, 236 foram afetados pelas chuvas e 67 ficaram sem abastecimento por danos severos nas estações de captação, tratamento e distribuição de água. Na época, a Aegea informou gastos de R$ 134,8 milhões com a recuperação de estruturas, máquinas e equipamentos.

Parte dos R$ 515 milhões também pode pagar reparos na infraestrutura de abastecimento, medidas para normalizar a produção de água e a troca de equipamentos que não têm ligação direta com adaptação climática. A empresa não divulga a divisão dos recursos por tipo de intervenção nem informa quanto vai para adaptação especificamente.

Metas do Marco Legal

O Marco Legal do Saneamento prevê que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e que 90% tenha coleta e tratamento de esgoto até 2033. A Corsan informa cobertura de 99% em água e de 30% em esgoto no estado. Para o gestor, a conta a fazer é a distância entre esses 30% e a meta de 2033, que depende das obras de rede e ramais financiadas agora.

A empresa foi privatizada em 2023, quando o governo gaúcho concluiu a venda do controle acionário à Aegea Saneamento por R$ 4,15 bilhões. Caio Andrade, head de ESG do Bradesco BBI, afirmou ao Capital Reset que os investimentos vão de melhorias operacionais e expansão de redes a ações de adaptação climática dos sistemas de água e esgoto.

Para quem acompanha licenciamento e outorga de sistemas de abastecimento, o ponto prático é o cronograma. A emissão tem prazo de dez anos e os investimentos estão previstos até 2033, então as obras de adaptação e de expansão dependem de execução contínua até lá. Como a Aegea não separa o que é adaptação do que é reparo, a fiscalização de quanto do dinheiro chega de fato à proteção contra enchentes vai depender do que a companhia reportar.

Com informações de Capital Reset.

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