Reciclagem no Brasil atinge 8,7% do lixo e Planares mira 20% até 2040
Dados do setor mostram forte informalidade na cadeia de resíduos e distância das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
A cadeia da reciclagem no Brasil permanece fortemente dependente da informalidade e opera distante das metas de recuperação estabelecidas pelo governo federal. É o que aponta o levantamento Retrato SyGeCom da Reciclagem no Brasil, divulgado nesta terça-feira (19) na Eco Expo. Dos 323.500 fornecedores que realizaram transações com clientes da desenvolvedora de softwares em 2025, 84,79% eram pessoas físicas, o equivalente a 274.276 CPFs atuando como catadores autônomos na coleta e venda de materiais.
Os números privados reforçam o retrato traçado por entidades setoriais. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) com dados de 2024, indica que o país enviou cerca de 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos para a reciclagem. Desse montante, quase dois terços, ou 4,6 milhões de toneladas, foram coletados de maneira informal e direcionados diretamente à reciclagem, enquanto os serviços públicos responderam por apenas 2,5 milhões de toneladas.
Descompasso com dados oficiais
A distância entre a realidade operacional e o registro formal também aparece nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), vinculado ao Ministério das Cidades. O relatório de resíduos sólidos com dados de 2023 identificou apenas 22.428 catadores informais e 37.386 vinculados a cooperativas ou associações. Na avaliação da SyGeCom, a escassez de registros oficiais ocorre porque grande parte do volume movimentado no país passa à margem das formalidades contábeis e fiscais, o que motivou a compilação dos dados de sua base.
No tocante ao volume global gerado, o Brasil produziu 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, conforme a Abrema. Os 7,1 milhões de toneladas de materiais secos reciclados equivalem a uma taxa de penetração de apenas 8,7%. O restante do passivo continua crítico: 28,1 milhões de toneladas de resíduos coletados, ou 40,3% do total, tiveram como destino final lixões ou outras áreas inadequadas. Os dados do SINISA para 2023 mostram que a taxa municipal de recuperação de recicláveis ficou em 1,82%, com 1.606 lixões ainda em operação e coleta seletiva cobrindo 36% da população.
Metas do Planares
O cenário atual contrasta com as diretrizes do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), instituído em 2022. O instrumento federal estipula a meta de elevar a recuperação da fração seca dos resíduos sólidos urbanos dos atuais 3% para 20% até 2040, além de alcançar a recuperação de 48,1% da massa total de resíduos urbanos no mesmo horizonte temporal, englobando reciclagem, tratamento biológico e aproveitamento energético.
Para profissionais da gestão de resíduos e consultores ambientais, o desafio central reside na profissionalização da cadeia e na integração de soluções tecnológicas que atendam às exigências operacionais e fiscais. O avanço da logística reversa e o cumprimento das metas do Planares exigem dos municípios e das empresas recicladoras maior formalização dos fornecedores e investimentos em infraestrutura de coleta seletiva para superar a dependência do trabalho autônomo informal.
Com informações de Um Só Planeta.
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