Giro AmbientalNewsletter
Normas· 29 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Relato de sustentabilidade GRI: como a empresa começa

O relato de sustentabilidade no padrão GRI presta contas dos impactos da empresa; começar exige escolher temas materiais e reunir dados confiáveis, não uma equipe enorme.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
GIRO AMBIENTALNormas

O relato de sustentabilidade é o documento em que a empresa presta contas dos seus impactos ambientais, sociais e de governança. O padrão GRI, da Global Reporting Initiative, é o mais usado no mundo para estruturar esse relato. Começar não exige uma equipe enorme. Exige escolher os temas que importam, levantar dados confiáveis e relatar com método, mesmo que no primeiro ano o escopo seja modesto.

O que é o padrão GRI

O GRI organiza a divulgação em torno da materialidade, ou seja, dos assuntos em que a empresa causa impacto real e que interessam às partes interessadas. Em vez de relatar tudo, a empresa foca no que é relevante para o seu setor, como consumo de água numa indústria de bebidas ou emissões numa transportadora.

A estrutura combina conteúdos gerais, sobre o perfil e a governança da organização, com conteúdos por tema material, cada um com indicadores próprios. O padrão é modular e pode conversar com outros referenciais de mercado, o que evita relatar a mesma informação em formatos diferentes para cada público.

Como dar o primeiro passo

Comece pela análise de materialidade. Ouça clientes, colaboradores, comunidade e investidores, e cruze com os impactos da operação para chegar a uma lista curta de temas prioritários. Esse recorte define o que o relatório vai medir e evita dispersão.

Depois, mapeie os dados que você já tem. Consumo de energia, água, geração de resíduos e indicadores de pessoal costumam existir espalhados em contas, notas fiscais e planilhas. Reunir e padronizar essa base é metade do trabalho. Onde faltar dado, registre a lacuna e planeje coletar no ciclo seguinte, em vez de estimar sem critério.

Relate o que é verdade, inclusive o que ainda está ruim. Um relatório honesto, com metas e evolução ano a ano, vale mais do que um documento bonito e vazio. Considere uma verificação externa quando o relato passar a embasar decisões de investidores ou exigências de clientes.

Perguntas frequentes

Relatar em GRI é obrigatório?

O GRI é um padrão voluntário. Ainda assim, cadeias de fornecimento, bancos e investidores cada vez pedem esse tipo de divulgação, e há regras de relato em construção. Confirme as exigências do seu setor e mercado.

Preciso relatar tudo logo no primeiro ano?

Não. Pode começar pelos temas materiais e pelos dados disponíveis, deixando claro o que ainda não é medido. O que conta é definir a base e evoluir a cada ciclo com transparência sobre os limites.

GRI é a mesma coisa que ESG?

Não. ESG é a agenda ampla de temas ambientais, sociais e de governança. O GRI é um padrão específico para estruturar o relato desses temas. Um é o assunto, o outro é a forma de reportar.

Relatório precisa de auditoria?

A verificação externa não é obrigatória em todo caso, mas aumenta a credibilidade e reduz contestação quando o relato influencia crédito, investimento ou contrato. Guarde as evidências por trás de cada número.

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

Mais lidas

  1. 1O que é potencial poluidor e como ele define o porte do licenciamento
  2. 2Poço artesiano precisa de outorga e de licença ambiental
  3. 3Como medir ruído ambiental conforme a NBR 10151
  4. 4Crédito rural eleva desmatamento na Amazônia conforme o território, aponta estudo
  5. 5Licença Prévia, de Instalação e de Operação: Entenda as Etapas do Licenciamento Ambiental

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.