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Água· 05 de novembro de 2026· 2 min de leitura

Mortes infantis por água e esgoto caem 78% no Brasil, mas fome pesa

Estudo da FSP-USP com dados de 2004 a 2023 aponta queda forte da mortalidade de menores de 5 anos por causas hídricas e sanitárias, com insegurança alimentar e desigualdade regional ainda como fatores de risco.

Redação Giro Ambiental
Mortes infantis por água e esgoto caem 78% no Brasil, mas fome pesa

Um estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP mediu, entre 2004 e 2023, como a insegurança alimentar se relaciona com a morte de crianças menores de 5 anos por água insegura, saneamento inadequado e falta de higiene. Os resultados, segundo o Jornal da USP, indicam que a mortalidade caiu de forma expressiva no país, mas que a fome continua a pesar, sobretudo no Norte e no Nordeste.

O trabalho é assinado pelo professor Lucas de Almeida Moura, sob orientação da professora Dirce Marchioni, ambos da FSP. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional que cruzou a prevalência de insegurança alimentar, os óbitos infantis atribuídos a fontes de água insegura, saneamento inseguro e falta de higiene, o número de leitos hospitalares e a cobertura do Bolsa Família. A série cobre as 27 Unidades Federativas.

A prevalência de insegurança alimentar subiu e caiu ao longo da série. Partiu de 40,94% em 2004, chegou ao mínimo de 27,99% em 2013 e voltou a crescer até o pico de 62,64% em 2022, período que o estudo associa a crises socioeconômicas e à pandemia. Em 2023, o índice recuou para 30,52%.

Na mortalidade, o movimento foi outro. A taxa de óbitos infantis por condições hídricas e sanitárias inadequadas caiu de 30,18 mil por 100 mil habitantes em 2004 para 6,78 por 100 mil em 2022. Houve uma pequena alta em 2023, para 9,76 por 100 mil.

Desigualdade regional e renda

A queda nacional não se repete igualmente em todo o território. As regiões Norte e Nordeste concentram, de forma sistemática, os piores indicadores de saneamento e de insegurança alimentar, e também a maior associação com a mortalidade infantil.

Segundo o estudo, a garantia de renda mínima por meio do Bolsa Família funcionou como fator protetor para reduzir mortes evitáveis. A quantidade de leitos hospitalares, por outro lado, não teve efeito estatisticamente significativo sobre a mortalidade infantil por essas causas.

Para quem trabalha com planejamento de saneamento, o recado do estudo é que a meta de acesso à água e ao esgoto precisa vir acompanhada de políticas de segurança alimentar, com recorte regional. Os autores defendem que as políticas sejam orientadas pelas desigualdades entre regiões.

O artigo, intitulado "Associação entre insegurança alimentar e mortalidade em crianças menores de cinco anos por acesso inadequado à água e saneamento no Brasil, 2004-2023: uma análise de regressão quantílica longitudinal", integra um dossiê especial do Volume 33 (2026) da revista Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), publicação eletrônica do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA) da Unicamp. Também assinam o trabalho a doutoranda Elaine Valdna Oliveira dos Santos e o graduando Rafael Sabatino de Souza, ambos da FSP.

Com informações de Jornal da USP.

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