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Clima· 09 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Mercado de carbono no Brasil: o que muda para as empresas

O país saiu do mercado só voluntário rumo a um sistema regulado, e isso transforma emissão em ativo e em passivo mensuráveis.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Mercado de carbono no Brasil: o que muda para as empresas

O mercado de carbono brasileiro deixou de ser apenas voluntário. Com a Lei 15.042 de 2024, o país instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, um mercado regulado que estabelece regras para medir, limitar e negociar emissões de gases de efeito estufa. A mudança é de natureza, não de grau: emissão que antes era externalidade sem preço passa a ter valor econômico definido.

Na prática, um mercado regulado funciona com teto e comércio. Define-se um limite de emissões, distribuem-se ou leiloam-se autorizações para emitir dentro desse limite, e quem emite menos que o permitido pode negociar o excedente com quem precisa de mais. O preço do carbono emerge dessa negociação e passa a ser um sinal econômico que orienta decisão de investimento.

O sistema mira, em primeiro momento, as empresas acima de um patamar de emissões, os grandes emissores cuja operação tem peso relevante no total nacional. Para elas, surge a obrigação de medir as próprias emissões com método reconhecido, relatar esses dados e prestar contas dentro das regras do sistema. Medição confiável deixa de ser diferencial de marketing e vira exigência de conformidade.

Isso reorganiza a lógica de investimento. Projeto de eficiência energética, troca de combustível, redução de perda de processo e captura de emissão passam a ser avaliados também pelo valor do carbono que evitam. O que antes era gasto difícil de justificar ganha um retorno mensurável, porque emissão evitada tem preço no mercado regulado.

O risco de tratar como pauta distante

O erro que empresas cometem é enxergar o tema como assunto de futuro distante ou de grande corporação apenas. A implantação de um sistema desse porte é gradual, mas as decisões que definem a posição de cada empresa, o inventário de emissões, a estrutura de medição, os contratos de longo prazo, são tomadas antes de a obrigação bater à porta.

A recomendação sóbria é começar pelo inventário. Saber quanto a operação emite, onde e por quê, é o dado que sustenta qualquer estratégia, seja para reduzir, seja para se posicionar no mercado. Empresa que chega à regulação sem conhecer as próprias emissões negocia no escuro; a que já mediu, negocia com carta na mão.

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Fonte: Um Só Planeta

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