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Resíduos· 02 de novembro de 2026· 3 min de leitura

Fresh Kills, antigo maior aterro do mundo, vira modelo de pós-fechamento

Aterro de Staten Island, em Nova York, recebeu 6,2 milhões de toneladas de solo de cobertura final e custos de fechamento já passam de US$ 1 bilhão.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 04 de novembro de 2026
Fresh Kills, antigo maior aterro do mundo, vira modelo de pós-fechamento

O Fresh Kills Landfill, em Staten Island, Nova York, deixou de receber resíduos em 2001 e hoje é tratado pelo Departamento de Saneamento da cidade (DSNY) como o maior projeto de cuidado pós-fechamento de aterro dos Estados Unidos. Quando estava em operação, chegou a receber até 29 mil toneladas de lixo por dia, o que o tornava, segundo a reportagem, o maior aterro ativo do mundo.

O complexo foi aberto em 1948, sobre área de manguezal, em um momento em que os outros depósitos da cidade estavam se esgotando. Foi defendido nos anos 1940 por Robert Moses, urbanista de Nova York, segundo o historiador Martin Melosi. A proposta inicial era temporária, mas o aterro durou muito mais do que os demais locais da cidade.

A virada veio com a Lei de Conservação e Recuperação de Recursos (RCRA). Em 1978, a deputada estadual Elizabeth Connelly processou com base nas novas exigências da RCRA para pedir o fechamento do local, que não tinha sistema de impermeabilização na pilha de resíduos existente nem um sistema completo de coleta de chorume. A ação resultou em um termo de consentimento (consent decree) com novos padrões operacionais, mas não levou ao fechamento. A decisão final foi política: em 1996, a legislatura estadual aprovou lei determinando o encerramento até 2002, embora, segundo algumas estimativas, o aterro ainda tivesse ao menos 20 anos de capacidade. O último barco com resíduos municipais chegou em 22 de março de 2001.

Quatro montes e cobertura de 6,2 milhões de toneladas

O fechamento é complexo porque o local reúne quatro montes com resíduos de épocas diferentes e com configurações de projeto distintas. A altura dos montes varia de 90 a 225 pés. Segundo o DSNY, o aterro hoje conta com mais de 572 poços de coleta de gás de aterro e 238 poços de monitoramento de águas subterrâneas. Uma equipe de seis servidores do departamento supervisiona a operação no local, apoiada por mais de 50 funcionários de empresas contratadas, responsáveis pela estação de tratamento de chorume, pelas instalações de gás e por outras funções essenciais.

Até o momento, cerca de 6,2 milhões de toneladas de solo foram aplicadas como cobertura final. Os custos de fechamento e pós-fechamento já superaram US$ 1 bilhão e seguem subindo, de acordo com o departamento.

O local também é o palco de um projeto de parque. O plano de transformar o aterro no Freshkills Park começou a ser desenhado enquanto o encerramento ainda avançava. A prefeitura selecionou o escritório de arquitetura paisagística Field Operations para elaborar o plano diretor, e a área prevista é de 2.200 acres. Nem todos os trechos têm o mesmo tipo de fechamento, e a execução segue em andamento.

O que o caso ensina ao setor

Para o setor, o interesse do caso está na forma de gestão. O DSNY trabalha em parceria com o Departamento de Parques e Recreação da cidade e com o Departamento de Conservação Ambiental do estado (DEC), além de outros órgãos. Jen McDonnell, diretora de planejamento da gestão de resíduos sólidos do DSNY, afirmou que as regras foram construídas em conjunto e que vê o Fresh Kills como um local de demonstração de como projetar, construir, operar e manter um aterro moderno.

Quem licencia ou opera pós-fechamento tem aí um caso de longo prazo, com monitoramento de gás e de água subterrânea que continua por décadas depois da última carga. O recado de Santi Chang, diretor de engenharia de aterros do DSNY, resume a questão: a superfície parece calma, mas embaixo muita coisa acontece. Para quem trabalha com passivo de aterro, o custo de manter esse acompanhamento, que já ultrapassa US$ 1 bilhão em Staten Island, é o dado que deve entrar no planejamento desde o início.

Com informações de Waste Dive.

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