Economia pode perder 19% do PIB sem US$ 9,2 tri/ano em infraestrutura resiliente
Estudo do BCG aponta que menos de 4% do financiamento climático global é direcionado à infraestrutura resiliente, apesar da necessidade de US$ 9,2 trilhões anuais para evitar perdas econômicas globais de até 19% do PIB.
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A economia global corre o risco de perder até 19% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2050 se não houver um aumento significativo nos investimentos em infraestrutura capaz de resistir a eventos climáticos extremos como enchentes, secas e ondas de calor. A conclusão é de um estudo do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Coalition for Disaster Resilient Infrastructure (CDRI), que alerta para a baixa destinação de recursos para a adaptação climática. Atualmente, menos de 4% do financiamento climático global é direcionado à infraestrutura resiliente, aquela projetada para suportar os impactos das mudanças do clima e manter serviços essenciais operacionais.
Para atender às necessidades globais, cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e alcançar emissões líquidas zero até meados do século, são necessários cerca de US$ 9,2 trilhões anuais em investimentos em infraestrutura. Desse total, aproximadamente US$ 2,76 trilhões devem ser destinados anualmente a países de baixa e média renda até 2050. O levantamento do BCG destaca que o investimento específico para a adaptação da infraestrutura existente precisará crescer 13 vezes até 2050.
Thais Esteves, sócia do BCG, ressalta que a adaptação climática deixou de ser apenas uma agenda ambiental e se tornou uma questão econômica e financeira. Segundo ela, muitos benefícios do investimento em adaptação – como menores perdas futuras, redução dos custos de seguros, maior continuidade operacional e preservação do valor dos ativos – ainda não são adequadamente incorporados aos modelos financeiros tradicionais.
O principal desafio para ampliar os investimentos em infraestrutura resiliente não é a falta de capital, mas a dificuldade de tornar esses projetos atrativos para investidores privados. Entre os obstáculos citados estão a precificação dos riscos climáticos, a escassez de projetos maduros para investimento, o horizonte de retorno de longo prazo e o elevado risco cambial em economias emergentes.
Para reduzir essas barreiras e mobilizar mais capital, o estudo defende a ampliação do uso de instrumentos de financiamento misto (blended finance), que combinam recursos públicos, capital concessional e investimentos privados. Outros mecanismos financeiros que podem contribuir para mitigar os riscos e aumentar a atratividade dos projetos incluem garantias públicas, seguros, instrumentos paramétricos para eventos climáticos extremos, resilience bonds, fundos de liquidez e estruturas de first loss.
Em economias emergentes como o Brasil, a mobilização de recursos privados é ainda mais desafiadora. Enquanto cerca de 81% dos investimentos verdes em países desenvolvidos são financiados pelo setor privado, essa participação cai para apenas 14% nas economias emergentes. Essa disparidade reforça a importância de mecanismos de financiamento misto para acelerar os investimentos em infraestrutura resiliente no contexto brasileiro. Iniciativas como o Climate Investor 2 e o GAIA Fund já demonstram a viabilidade desses modelos.
Para o setor ambiental brasileiro, a urgência em desenvolver projetos de infraestrutura resiliente com modelos financeiros robustos é evidente. Embora o estudo não detalhe dados específicos para o Brasil, outro levantamento do BCG de 2024 estimou que o país poderá atrair entre US$ 2,6 trilhões e US$ 3 trilhões em investimentos relacionados ao clima até 2050, com adaptação e resiliência entre as prioridades. Isso indica uma oportunidade para consultores na estruturação de projetos e para gestores na identificação de riscos e oportunidades, exigindo que órgãos ambientais e de fomento considerem a criação de marcos e mecanismos que incentivem esses investimentos essenciais.
Com informações de Um Só Planeta.
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