Queimadas no AM e no PA elevam PM2,5 para 344,5 µg/m³ em Manaus
Fumaça de focos no Amazonas e no Pará faz 36 de 62 municípios amazonenses entrarem em alerta, segundo a USP. Especialista alerta para internações e mortes.

Uma série de queimadas nos estados do Amazonas e do Pará lançou fumaça e partículas finas na atmosfera do Norte do País, e a qualidade do ar caiu a ponto de comprometer a saúde da população. Em outubro, 36 dos 62 municípios amazonenses estavam em estado de alerta, e Manaus chegou a suspender as aulas para crianças. O alerta vem de uma reportagem do Jornal da USP, com entrevista do professor Paulo Saldiva, titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e especialista nos efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde.
Os dados de focos de incêndio citados na reportagem são do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia. Eles registram 2.498 focos somente no Amazonas entre 21 de setembro e 27 de outubro. No início de outubro, Manaus registrou picos de 344,5 µg/m³ de material particulado fino (PM2,5).
Poluentes que a fonte não controla
Saldiva compara a queima de floresta com a poluição industrial. Segundo ele, ao queimar uma floresta, a combustão produz uma quantidade grande de poluentes que não podem ser controlados, diferentemente da emissão industrial, que pode ser regulada de alguma forma. A combustão incompleta de compostos orgânicos libera substâncias que, sob a radiação ultravioleta, passam por novas reações químicas na atmosfera. Entre os produtos citados estão a fuligem e o ozônio, este formado pela ação da luz solar sobre os poluentes.
Além da carga química, a fumaça pode carregar microrganismos presentes no solo para dentro dos pulmões. A reportagem também descreve uma reação inflamatória sistêmica que, ao atingir os pulmões, pode acentuar a coagulação sanguínea e comprometer as defesas do órgão.
Efeito na saúde e quem corre mais risco
Pelo cálculo apresentado por Saldiva, a cada 10 µg/m³ de material particulado há aumento de cerca de 8 a 10% nas internações e de 2 a 3% na mortalidade. Com o pico de 344,5 µg/m³ registrado em Manaus, a sobrecarga sobre um sistema de saúde já pressionado na região é o ponto de maior preocupação, segundo o professor. Crianças, cujo sistema de defesa ainda não está plenamente desenvolvido, e idosos, com mecanismos inflamatórios mais frágeis, estão entre os mais vulneráveis.
A recomendação central é evitar a exposição, suspendendo atividades ao ar livre. Quando a fumaça for inevitável, máscaras adequadas ajudam, mas os modelos mais eficientes são específicos e caros, e Saldiva afirma que o preço é proibitivo para as comunidades. Manter os ambientes umidificados também é citado como medida, pois pode favorecer a aglomeração de partículas em suspensão. Para pessoas com doenças crônicas, a orientação é evitar esforços excessivos e preservar a reserva fisiológica do organismo.
Para quem trabalha com monitoramento e gestão de qualidade do ar, o caso mostra o peso de emissões de queima que não entram no controle de fonte fixa. Na prática, a leitura de PM2,5 em episódios como o de Manaus vira o dado que orienta a suspensão de atividades e a pressão sobre a rede de saúde.
Com informações de Jornal da USP.
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