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Ar e Emissões· 24 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Manaus tem ar com dobro de poluentes da OMS devido a queimadas

Concentração de material particulado fino na Região Metropolitana de Manaus supera limites da OMS, impulsionada por focos de calor e pelo fenômeno El Niño.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Manaus tem ar com dobro de poluentes da OMS devido a queimadas

A qualidade do ar em Manaus registrou, desde o início de setembro, concentrações de material particulado fino (PM2,5) duas vezes superiores ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados foram obtidos por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) por meio da RedeAr, plataforma que monitora a atmosfera com sensores instalados na capital amazonense. A degradação da qualidade do ar decorre diretamente da densa fumaça gerada por queimadas na Região Metropolitana e em municípios vizinhos ao longo do mês.

Os registros da rede apontam uma média superior a 30 microgramas por metro cúbico de PM2,5 em setembro, enquanto a diretriz diária da OMS estabelece o teto de 15 microgramas por metro cúbico. No dia 23 de setembro, a situação se agravou com picos que superaram 160 microgramas por metro cúbico, marca que ultrapassa em dez vezes o patamar seguro. A infraestrutura de monitoramento na capital conta com quatro sensores administrados pela EducAir, vinculada à Universidade do Estado do Amazonas.

A intensificação da fumaça na zona metropolitana está ligada ao aumento de focos de calor concentrados no eixo da rodovia BR-319 e nas imediações do Rio Amazonas, próximo ao Encontro das Águas. Dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, indicam que municípios do entorno registraram alta expressiva nas áreas queimadas entre janeiro e agosto, com saltos de 293 por cento em Manacapuru, que atingiu cerca de 2 mil hectares, e de 212 por cento em Iranduba.

Embora a área total desmatada e queimada no estado do Amazonas tenha apresentado queda de 26 por cento nos primeiros oito meses do ano na comparação com o mesmo período de 2025, a dinâmica atmosférica atual agravou o cenário urbano. Segundo a análise técnica do IPAM, os ventos que normalmente dispersariam a fuligem para o oeste, em direção ao Peru, foram alterados pela atuação e fortalecimento do fenômeno El Niño, direcionando o material particulado diretamente para Manaus.

Riscos à Saúde Pública

A exposição prolongada ao material particulado fino representa riscos severos à saúde pública, uma vez que as partículas menores que 2,5 micrômetros penetram profundamente no sistema respiratório e alcançam a corrente sanguínea. O quadro favorece inflamações, irritações nas vias aéreas e o agravamento de patologias pulmonares e cardiovasculares, afetando principalmente grupos vulneráveis como crianças, gestantes, idosos e populações indígenas.

O histórico recente de monitoramento do IPAM aponta que o Amazonas acumulou 67 dias com concentrações diárias acima de 15 microgramas por metro cúbico ao longo de 2025, fechando o ano com média anual de 10,67 microgramas por metro cúbico, o dobro do limite anual estipulado pela OMS. Com a persistência dos focos de calor e das alterações climáticas regionais, os órgãos ambientais seguem atentos aos índices de poluição atmosférica na capital.

Com informações de ((o)) eco.

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