Como fazer o inventário de resíduos da empresa
O inventário de resíduos mapeia cada corrente gerada, sua classe e sua quantidade, e vira a base do PGRS, do MTR e da declaração ao órgão ambiental.
O inventário de resíduos é a lista, atualizada, de tudo que a operação gera, com origem, tipo, classe, estado físico e quantidade num período. Ele é o alicerce do PGRS, do preenchimento do MTR e de qualquer declaração ao órgão ambiental. Feito com rigor, evita a incoerência mais comum na fiscalização, que é o número declarado não bater com o que sai pela porta.
Como levantar cada corrente de resíduo
Comece percorrendo a empresa setor por setor, não pela memória de quem senta na sala. Produção, manutenção, laboratório, refeitório, administrativo e almoxarifado geram correntes diferentes. Para cada uma, você anota o que é o resíduo, de qual processo ele vem, se é sólido, líquido ou pastoso e com que frequência aparece. Sucata metálica, papelão, óleo usado, embalagens contaminadas e lâmpadas, por exemplo, precisam entrar cada um na sua linha.
A classificação segue a NBR 10004. Ela separa os resíduos em Classe I, os perigosos, que apresentam inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, e Classe II, os não perigosos, divididos entre não inertes e inertes. Essa etiqueta não é burocracia, ela decide a embalagem, a forma de armazenar e a lista de destinadores que podem receber aquele material. Quando houver dúvida sobre a periculosidade, o caminho é a análise laboratorial, não o palpite.
Como quantificar sem chutar
Quantidade é onde os inventários falham. Estimativa por olho vira problema no cruzamento de dados. O ideal é pesar na fonte, com balança, e registrar a cada retirada. Onde não dá para pesar tudo, use uma base defensável, como o volume dos contêineres multiplicado por uma densidade conhecida do material, e deixe claro o método. A unidade precisa ser consistente, normalmente quilogramas por mês, para permitir comparação ao longo do tempo.
Os números do inventário conversam com outros documentos. A soma do que foi destinado, comprovada pelos MTR e pelas notas de recebimento do destinador, deve fechar com o que o inventário diz que foi gerado. Se a declaração anual ao órgão ambiental pede volumes, ela sai daqui. Manter uma planilha viva, alimentada a cada movimentação, é o que torna esse fechamento possível.
O que fazer com o inventário pronto
Um bom inventário aponta oportunidades, não só obrigações. Ele mostra onde a geração é maior, onde vale investir em redução na fonte e quais correntes podem ir para reciclagem em vez de aterro, o que costuma baixar custo de destinação. Ele também prepara a empresa para responder rápido quando o órgão pede dados ou quando um cliente exige comprovação de gestão de resíduos.
Confirme sempre no órgão ambiental competente se a sua atividade tem obrigação de declarar o inventário e em qual sistema, porque isso muda de estado para estado e conforme o tipo de resíduo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre inventário de resíduos e PGRS?
O inventário é a fotografia do que se gera, com tipos e quantidades. O PGRS é o plano que diz o que fazer com cada um desses resíduos, da segregação à destinação. O inventário alimenta o plano.
Preciso de análise laboratorial para classificar um resíduo?
Nem sempre. Muitos resíduos já têm classificação conhecida por sua natureza. Quando a periculosidade não é evidente, ou quando há mistura e contaminação, a análise em laboratório é a forma segura de definir a classe.
Com que frequência atualizo o inventário?
O registro deve ser contínuo, a cada geração e destinação, e o consolidado costuma ser mensal. Mudou o processo produtivo, mudou a matéria-prima ou surgiu resíduo novo, o inventário é atualizado na hora.
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