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Resíduos· 08 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Nova planta de biometano em Paulínia produz até 225 mil m³ por dia

Parceria entre Orizon e Edge resulta em planta de biometano financiada pelo BNDES com foco em economia circular e aproveitamento energético.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Nova planta de biometano em Paulínia produz até 225 mil m³ por dia

A Orizon Valorização de Resíduos e a Edge, empresa de gás do grupo Cosan, lançaram em março de 2026 a OneBio, considerada a maior planta de biometano do Brasil a partir de resíduos sólidos urbanos. Localizada no ecoparque de Paulínia, no interior paulista, a unidade tem capacidade para produzir até 225 mil metros cúbicos de biometano por dia. O projeto recebeu investimentos de R$ 450 milhões, com aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, incluindo R$ 360 milhões do Fundo Clima.

O ecoparque em Paulínia recebe diariamente cerca de 4,5 mil toneladas de resíduos coletados em mais de 26 municípios, abrangendo uma população superior a 3 milhões de pessoas. No local, a operação realiza a triagem de materiais recicláveis e o tratamento de chorume em uma estação própria, cuja água tratada é reutilizada na irrigação e o lodo gerado é transformado em biofertilizante em parceria com a Tera Ambiental, alcançando 1.600 toneladas mensais.

A principal alavanca econômica do empreendimento é a captura e a purificação do biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica depositada no aterro. Enquanto a Orizon gerencia a recepção dos resíduos e a captação do gás, a Edge assume o processo de purificação para comercializar o biometano. Segundo dados da empresa, a operação evita a emissão de mais de 100 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.

Especialistas do setor apontam que os aterros sanitários oferecem uma vantagem logística frente a fontes agrícolas de biogás, pois a chegada contínua de resíduos urbanos elimina a dependência de safras sazonais. A maturação necessária para a instalação de um parque energético exige de dois a quatro anos de recebimento contínuo de materiais no aterro.

Mercado e regulação

A expansão do biometano ocorre em um momento em que o estado de São Paulo concentra nove das 21 plantas em operação no país, além de outras 12 unidades em processo de autorização na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O biocombustível gerado possui molécula idêntica à do gás natural, permitindo injeção direta na rede de distribuição sem exigir adaptações nos equipamentos industriais ou na frota de veículos.

Com informações de Um Só Planeta.

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