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Ar e Emissões· 07 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Marginal Pinheiros tem poluição 163% acima da média para ciclistas

Pesquisa inédita do Instituto Cordial mapeia 10 mil quilômetros de vias em São Paulo e revela alta exposição a material particulado e risco em ultrapassagens.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Marginal Pinheiros tem poluição 163% acima da média para ciclistas

Pedalar por São Paulo expõe ciclistas a níveis de poluição do ar que chegam a superar em 163% a média da capital, conforme revela uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Cordial a pedido do Itaú Unibanco. O levantamento analisou mais de 10 mil quilômetros de vias percorridas na cidade e apontou que a ciclovia da Marginal Pinheiros, nos trechos de Pinheiros e Alto de Pinheiros, concentra as maiores taxas de material particulado disperso, superando amplamente os limites seguros recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

A alta concentração de poluentes ocorre mesmo em trechos que contam com barreiras vegetais entre a pista de rolamento dos veículos automotores e a rota cicloviária. De acordo com o estudo, a vegetação existente não se mostrou suficiente para reter ou impedir que as partículas finas alcancem os ciclistas. O indicador utilizado priorizou partículas de menor diâmetro, que apresentam maior potencial de penetração e danos aos pulmões humanos, evidenciando que a infraestrutura física isolada não resolve a contaminação atmosférica local.

Além da Marginal Pinheiros, o levantamento identificou disparidades expressivas entre as regiões da capital paulista. A Região Central registrou um indicador de poluição 56% superior à média municipal, acompanhada por patamares elevados na Zona Norte e nos extremos da Zona Leste. Os pesquisadores ressaltam que o índice representa uma medida relativa de exposição ambiental, e não a dose exata inalada individualmente, já que a respiração e o ritmo variam conforme o ciclista.

O mapeamento também avaliou a segurança viária durante as manobras de ultrapassagem feitas por veículos motorizados ao longo das rotas analisadas. Os dados mostram que três em cada quatro ultrapassagens ocorreram a menos de 1,5 metro de distância da bicicleta. Apenas 24% respeitaram o limite previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro. A situação mais grave foi documentada na Zona Leste, onde a distância média despencou para apenas 55 centímetros, o equivalente à metade da média geral observada na capital, fixada em 108 centímetros.

Dados para o planejamento urbano

Para o setor de mobilidade e gestão urbana, os resultados demonstram que a expansão de ciclovias precisa vir acompanhada de políticas integradas de controle de emissões veiculares e fiscalização rigorosa do trânsito. A pesquisa utilizou dispositivos com sensores e inteligência artificial para monitorar as condições reais de circulação e foi desenvolvida em parceria com organizações alemãs, contando com financiamento da FAPESP e reconhecimento do selo Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades. A proposta técnica é fornecer subsídios para que gestores públicos e órgãos ambientais incorporem dados reais de exposição na formulação de futuras diretrizes de transporte e qualidade do ar.

Com informações de Um Só Planeta.

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