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Biodiversidade· 08 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Cerrado perde 14 milhões de hectares de vegetação em APPs de rios

Novo levantamento do MapBiomas aponta que margens de cursos d'água no bioma perderam 26,9% de cobertura nativa entre 1985 e 2025.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Cerrado perde 14 milhões de hectares de vegetação em APPs de rios

O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em uma faixa de até 500 metros ao redor de rios e cursos d'água entre 1985 e 2025, segundo dados da Coleção 11 do MapBiomas divulgados nesta quinta-feira (8). A área suprimida equivale a mais de três vezes o território do estado do Rio de Janeiro e representa 26,9% de toda a perda de vegetação registrada no bioma no período. A supressão atinge diretamente as Áreas de Preservação Permanente (APPs), consideradas fundamentais para a proteção dos recursos hídricos e para a estabilidade ecológica.

Em faixas mais estreitas, de até 30 metros dos cursos d'água, a redução da cobertura vegetal nativa chegou a 13,9% nos 41 anos analisados. O levantamento aponta que, em 2025, as atividades de pastagem e agricultura já ocupavam quase um quinto, ou seja, 18,2%, dessas zonas de mata ciliar. Especialistas apontam que a degradação dessas áreas aumenta o processo de erosão, eleva o assoreamento dos rios e compromete a disponibilidade e a qualidade da água, além de intensificar os impactos de eventos climáticos extremos.

Impacto nas bacias

Conhecido como o berço das águas do país, o Cerrado abriga as nascentes de seis grandes bacias hidrográficas nacionais. Deste total, as regiões do Alto Tocantins e do Araguaia lideram as perdas de vegetação nativa nas margens de rios, concentrando 41% de toda a redução mapeada. No Alto Tocantins, a vegetação a até 500 metros dos cursos d'água encolheu de 9,7 milhões para 6,8 milhões de hectares, enquanto no Araguaia a área passou de 7,8 milhões para 5,1 milhões de hectares.

No panorama geral do bioma, a perda total de vegetação nativa atingiu 51,7 milhões de hectares, o equivalente a 34% da extensão original, restando menos da metade (49,6%) com cobertura nativa em 2025. Em contrapartida, a agropecuária cresceu 110% no mesmo intervalo, ocupando 97,9 milhões de hectares, área superior à de todo o estado de Mato Grosso. A expansão foi impulsionada sobretudo pelos estados do Matopiba, que concentraram 66% do desmatamento na última década, convertendo grandes extensões de savana em áreas agrícolas.

Com informações de ((o)) eco.

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