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Biodiversidade· 20 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Perereca-de-vidro inedita é descoberta em Goiás e acende alerta

Nova espécie de anfíbio batizada de Vitreorana micaelae foi identificada em Luziânia, no entorno do Distrito Federal, em área vulnerável à mineração e barragens.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Perereca-de-vidro inedita é descoberta em Goiás e acende alerta

Uma nova espécie de anfíbio foi descrita em setembro na revista científica ZooKeys por pesquisadores de instituições de ensino superior do Centro-Oeste. Batizada de Vitreorana micaelae, a perereca-de-vidro foi encontrada em um pequeno riacho situado na região de Luziânia, em Goiás, marcando o primeiro registro do gênero na área central do Cerrado. O grupo era conhecido principalmente em ecossistemas da Amazônia e da Mata Atlântica, o que amplia a relevância biogeográfica do achado.

Com até 2,6 centímetros de comprimento, o exemplar possui a característica pele fina e translúcida do grupo, permitindo a visualização dos órgãos internos, além da coloração esverdeada. O trabalho científico foi conduzido por equipes da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB), fundamentado em exames morfológicos, bioacústicos, moleculares e em observações detalhadas de campo.

A espécie foi localizada exclusivamente em matas de galeria, formações florestais ciliares que funcionam como corredores vitais de biodiversidade em meio à vegetação predominantemente aberta do Cerrado. Até o momento, a ocorrência foi registrada em apenas dois pontos na zona goiana, fator que gerou forte preocupação entre os biólogos e ecólogos envolvidos na investigação.

Entre os riscos apontados ao hábitat da perereca estão a supressão de vegetação nativa, a implantação de barramentos e hidrelétricas, e a atividade de mineração na região do entorno do Distrito Federal. Os autores do estudo também alertam que as mudanças climáticas podem alterar de forma drástica o regime hídrico dos riachos locais e elevar a incidência de incêndios florestais.

Diante da escassez de dados sobre o tamanho populacional e a real extensão da área ocupada, os pesquisadores recomendam que o animal seja classificado na categoria Dados Insuficientes pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O cenário exige novos levantamentos de campo em trechos pouco explorados do bioma para subsidiar futuras estratégias de conservação e licenciamento ambiental na região.

Com informações de ((o)) eco.

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