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Ar e Emissões· 15 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Vaca Muerta acumula 2.600 poços de fraturamento e crise sanitária

A alta na extração de óleo e gás na Patagônia argentina coloca comunidades locais e autoridades em alerta devido a graves riscos de contaminação e passivos ambientais.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)· atualizado em 18 de outubro de 2026
Vaca Muerta acumula 2.600 poços de fraturamento e crise sanitária

A expansão da exploração de óleo e gás de xisto na formação de Vaca Muerta, na Patagônia argentina, intensifica o debate sobre os impactos sanitários e ambientais da técnica de fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. A região abriga mais de 2.600 poços ativos espalhados por mais de 29 mil quilômetros quadrados, abrangendo quatro províncias e impulsionando a economia do país sul-americano sob a gestão de Javier Milei. No entanto, moradores de áreas rurais como a Calle Ciega 10, na cidade de Allen, relatam um aumento expressivo no número de casos de câncer, malformações congênitas, problemas respiratórios e complicações em gestações desde o início das perfurações locais há 13 anos. O fraturamento hidráulico utiliza injeções de água, areia e produtos químicos sob alta pressão para romper a rocha e liberar hidrocarbonetos.

Riscos à saúde e ausência de dados

Profissionais médicos e pesquisadores apontam que a escassez de estudos epidemiológicos aprofundados dificulta o estabelecimento de um nexo causal absoluto, embora moradores e comunidades indígenas Mapuche associem os problemas de saúde à poluição gerada pela atividade extrativa. A petroleira estatal YPF controla 33% do gás e 39% do óleo não convencionais da bacia, enquanto o restante é operado por empresas estrangeiras como a norte-americana Chevron, a francesa TotalEnergies e a britânica Shell. O avanço da produção levou o petróleo bruto a superar a farinha de soja como principal item de exportação da Argentina no final de 2025, impulsionado por investimentos europeus.

Além dos poços de extração, a infraestrutura da região inclui centenas de caminhões em trânsito diário e depósitos de resíduos perigosos a céu aberto. A situação ambiental mais crítica concentra-se no caso da empresa de gerenciamento de resíduos Comarsa, investigada pela unidade de crimes ambientais de Neuquén. O inquérito aponta que a companhia armazenou mais de 300 mil metros cúbicos de resíduos tóxicos sem o selamento adequado do solo, a apenas 200 metros de residências, violando normas de segurança.

Laudos do corpo médico forense indicam que os resíduos do aterro contêm metais pesados como bário, cádmio, chumbo, cobre, mercúrio e arsênico, substâncias capazes de contaminar solo, água e ar, gerando riscos severos de doenças renais, neurológicas e oncológicas. Ministérios da saúde provinciais e as empresas citadas declinaram de comentar as acusações, enquanto universidades e organizações não governamentais cobram transparência estatal e monitoramento rigoroso dos impactos socioambientais da exploração.

Com informações de The Guardian: Environment.

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