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Biodiversidade· 17 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Rio cria reserva marinha de 3 mil hectares na zona oeste

Nova unidade de conservação estadual em Guaratiba e no Recreio alia proteção da biodiversidade marinha e manutenção da pesca artesanal.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Rio cria reserva marinha de 3 mil hectares na zona oeste

O governo do Estado do Rio de Janeiro oficializou a criacao da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá, abrangendo 3 mil hectares de ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos na zona oeste da capital. A nova unidade de conservação se estende da ilhota do Frade, em Guaratiba, ate a Pedra do Pontal, no Recreio, com o objetivo duplo de proteger ecossistemas costeiros e garantir a continuidade de atividades tradicionais, como a pesca artesanal e o turismo sustentável.

A instalacao da reserva integra a estrategia do estado para o cumprimento das metas da Convenção para Proteção da Biodiversidade, conhecida como meta 30x30, estabelecida na COP-15 realizada em Montreal em 2022. O compromisso internacional determina que cada pais proteja 30 por cento de seu territorio terrestre, marinho e de aguas interiores em unidades de conservação ate 2030.

Para embasar a criacao da RDS Urupirá, um estudo tecnico executado pelo projeto Ilhas do Rio mapeou a biodiversidade local. O levantamento identificou 102 especies de peixes em recifes de corais, alem de 39 especies de interesse comercial para pescadores, como garoupas, corvinas, sargos, robalos e xaréus.

A area tambem abriga 143 especies de organismos bentonicos no leito marinho, incluindo polvos e lagostas. O diagnostico ambiental apontou a presenca de especies ameacadas de extincao, a exemplo do coral-cérebro, da estrela-do-mar Astropecten brasiliensis, do ouriço-lilás e de chernes que utilizam a regiao para reprodução.

Gestao participativa e especies migratorias

A categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável permite a conciliacao entre a conservacao ambiental e a permanencia das comunidades tradicionais. A gestao da area contara com a participacao direta dos pescadores locais, alem de previsao para monitoramento participativo dos recursos pesqueiros, pesquisas cientificas, educacao ambiental e fiscalizacao reforçada.

O trecho litoraneo protegido serve como rota de transito para especies migratorias e ameacadas, como a baleia-jubarte e quatro especies de tartarugas-marinhas. A avifauna e a entomofauna local tambem registram aves ameacadas e invertebrados como a borboleta-da-praia.

O nome Urupirá foi adotado pelo governo fluminense como resgate historico e cultural, com origem indigena que remete ao cesto do peixe e a identidade pesqueira do territorio. Na pratica, a implementacao da unidade de conservação estabelece novas diretrizes de zoneamento e fiscalizacao que operadores de ecoturismo e pescadores da regiao devero observar na rotina das atividades.

Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.

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