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Biodiversidade· 14 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Amazonas registra 3.726 focos em setembro e fumaça afeta Manaus

Aumento de queimadas e fumaça em Manaus evidenciam os desafios da adaptação climática e o uso do fogo na Amazônia.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)· atualizado em 18 de outubro de 2026
Amazonas registra 3.726 focos em setembro e fumaça afeta Manaus

Manaus amanheceu coberta por densa fumaça nos últimos dias, resultando na suspensão de atividades escolares e no cancelamento de eventos ao ar livre, devido a níveis de qualidade do ar considerados incompatíveis com a vida urbana. A situação extrema reflete uma transformação mais profunda na crise amazônica, onde a floresta queimada passa a ser respirada diretamente pela população. Em setembro de 2026, o Estado do Amazonas contabilizou 3.726 focos de calor, volume quase quatro vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O fenômeno da queima na região não ocorre de forma espontânea, mas está atrelado à ação antrópica voltada para a limpeza de áreas, abertura de pastagens, manejo inadequado e ocupação predatória. Contudo, a capacidade de propagação desse fogo é potencializada por fatores climáticos extremos. O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como o INMET, INPE, ANA e Cemaden, já havia apontado para chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas na Amazônia Legal, criando um cenário propício para o prolongamento da estação seca e o aumento de incêndios florestais.

O desmatamento atua como vetor crítico nessa dinâmica ao reduzir a reciclagem de umidade e fragmentar a vegetação, tornando o ecossistema mais vulnerável aos extremos climáticos. Em contrapartida, dados do sistema PRODES indicam que o desmatamento na Amazônia Legal recuou para 5.731 quilômetros quadrados em 2025, o que representa uma retração de cerca de 56 por cento em relação aos 13.038 quilômetros quadrados registrados em 2022, fruto da retomada de instrumentos de fiscalização e governança ambiental.

No âmbito financeiro e estrutural, a gestão da crise envolve a descentralização de recursos federais. Desde 2024, o governo federal destinou 45 milhões de reais ao Estado do Amazonas por meio do programa ProAmazon, com o objetivo de equipar e estruturar o Corpo de Bombeiros para o combate a incêndios florestais. Desse total, 34,7 milhões de reais já foram liberados, restando cerca de 10 milhões de reais disponíveis para a aquisição de viaturas, equipamentos de proteção e implantação de bases operacionais na região.

A responsabilidade pelo enfrentamento aos incêndios e pela proteção ambiental é compartilhada entre União, estados e municípios, conforme a competência comum estabelecida pela Constituição. Para os órgãos de fiscalização, gestores públicos e equipes de defesa civil, o desafio atual ultrapassa o controle do corte raso e exige uma atuação integrada de prevenção, monitoramento rigoroso e resposta antecipada frente aos períodos de estiagem severa e aos impactos diretos na saúde pública.

Com informações de Um Só Planeta.

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